domingo, 19 de março de 2017

1848: Revolução de Março na Áustria


No dia 13 de março de 1848, burgueses, trabalhadores e universitários de Viena rebelaram-se contra o poder da dinastia dos Habsburg. Dois dias mais tarde, imperador Ferdinando teve que reconhecer sua derrota.



                                      Príncipe Metternich foi obrigado a renunciar

No ano de 1848 ocorreram várias revoluções na Europa. A 24 de fevereiro, em Paris, artesãos, universitários, trabalhadores e a Guarda Nacional haviam se rebelado contra a miséria e destituído o rei para proclamar a Segunda República. A revolta seguinte começou em 13 de março, em Viena. Trabalhadores e universitários se revoltaram contra 30 anos de opressão, censura e perseguição do conservador príncipe austríaco Klemens Wenzel Metternich.

Desde o Congresso de Viena, em 1815, ele era o homem mais poderoso nos países da Aliança Alemã. Mas o povo estava cansado da opressão e reuniu-se em Viena para protestar, em primeiro plano, contra a censura. A violência escalou depois que os militares dispararam contra a multidão, causando várias vítimas fatais.

Os manifestantes foram às barricadas, enquanto a rebelião eclodia também nos bairros operários. Em toda a cidade ouviam-se tiroteios e estabelecimentos comerciais eram saqueados. Como o governo não estivesse preparado para tanta disposição de luta dos manifestantes, dois dias mais tarde mandou recolher as tropas aos quartéis.

No dia 15 de março de 1848, o imperador Ferdinando aprovou a liberdade de imprensa, garantiu uma nova Constituição e a formação de uma guarnição civil armada, atendendo, assim, às "exigências de março" dos manifestantes. A consequência foi a composição de uma comissão de cidadãos, formada por 24 burgueses que ocuparam a administração de Viena.

Paris e Viena contagiam Berlim

Sem condições de governar, o imperador Ferdinando foi retirado de Viena; o príncipe Metternich renunciou e se exilou na Inglaterra. As revoltas em Paris e Viena contagiaram Berlim. A 18 de março de 1848, o povo reunido diante do palácio do rei Frederico Guilherme 4º exigiu liberdade de imprensa e de opinião, o fim da censura e a constituição de um Parlamento prussiano.

A violência escalou da mesma maneira como em Viena. Cerca de 4 mil manifestantes com armas rudimentares foram confrontados com um contingente de 15 mil militares fortemente armados. Mas venceram. Quatro dias depois, o imperador recolheu suas tropas e reconheceu a vitória dos revolucionários. Humilhado, foi obrigado a honrar no palácio os 230 mortos na revolução. No dia 21 de março, anunciou então a unidade nacional.

Sua medida seguinte foi a composição de um gabinete liberal e o anúncio de uma Assembleia Nacional dois meses depois. A Prússia, que junto a Rússia e Áustria havia fomentado a rebelião, deveria tornar-se monarquia constitucional. A revolução alemã, que foi apenas parte de um fenômeno pan-europeu, havia sido vitoriosa. No dia 18 de maio foi empossada a Assembleia Nacional, com 649 deputados das 39 províncias, inclusive a Prússia e a Áustria.

Sua tarefa era redigir uma Constituição democrática para todo o território alemão, introduzindo um sistema de governo centralizado. A nova carta magna, divulgada em dezembro do mesmo ano, é considerada pelo historiador alemão Wolfgang Mommsen como "mais moderna do que os direitos fundamentais de Weimar e, eventualmente, que a Lei Fundamental de 1949, afinal, inspirada na de 1848".

Autoria Frank Gerstenberg

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